segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Os dois Mundos - Samael Aun Weor

Samael Aun Weor, em seu esclarecedor livro sobre a ciência da auto-observação (Tratado de Psicologia Revolucionária), expressa várias vezes a importância do “observar-se”. Muitas vezes falhamos na forma de tratar as pessoas; falhamos no ato de pensar coisas ruins sem saber as verdadeiras causas; falhamos mais em desejar-lhes mal; falhamos muito mais em pensar de nós sempre o melhor; falhamos apenas pelo fato de pensar tanto sem ao menos observar o que pensamos.

No capítulo 20 deste livro de psicologia, Samael, em sua enérgica Maestria no uso da palavra, abre os olhos de todos nós para nos lembrarmos da existência não só capacidade que temos de observar o mundo, mais também de observarmos o nosso mundo interior; atividade essa que falhamos desgraçadamente.

Antes de pararmos para assistir as ações de terceiros, para logo depois podermos julgar, deveríamos assistir nossas ações interiores e trabalhar sobre elas; evitar pré-conceitos, preconceitos, descriminação, julgamento, desrespeito, inveja, ciúmes e todos os outros males que atingem nossa pobre mente que, frequentemente, se entrega ao erro.

Antes de cuidarmos do mundo, cuidemos de nós mesmos!

Segue abaixo o capítulo XX, “Os dois Mundos” – Tratado de Psicologia Revolucionária. Samael Aun Weor.



Capítulo 20

Os dois Mundos


Observar e observar-se a si mesmo são duas coisas completamente diferentes; contudo, ambas exigem atenção.

Na observação, a atenção é orientada para fora, para o mundo exterior, através das janelas dos sentidos.

Na auto-observação de si mesmo, a atenção é orientada para dentro; e, para isso, os sentidos de percepção externa não servem. Motivo este mais que suficiente para que seja difícil ao neófito a observação de seus processos psicológicos íntimos.

O ponto de partida da ciência oficial, em seu lado prático, é o observável. O ponto de partida do trabalho sobre si mesmo é a auto-observação, o auto-observável.

Inquestionavelmente, estes dois pontos de partida nas linhas acima citados levam-nos a direções completamente diferentes.

Poderia alguém envelhecer, engarrafado nos dogmas intransigentes da ciência oficial, estudando fenômenos externos, observando células, átomos, moléculas, sóis, estrelas, cometas, etc., sem experimentar, dentro de si mesmo, nenhuma mudança radical.

A classe de conhecimento que transforma interiormente a alguém jamais poderia ser conseguida mediante a observação externa.

O verdadeiro conhecimento que realmente pode originar, em nós, uma mudança interior fundamental tem por embasamento a auto-observação direta de si mesmo.

É urgente dizer aos nossos estudantes gnósticos que se observem a si mesmos e em que sentido se devem auto-observar e as razões para isso.

A observação é um meio para modificar as condições mecânicas do mundo. A auto-observação interior é um meio para mudar intimamente.

Como seqüência, ou corolário, de tudo isso, podemos e devemos afirmar, de forma enfática, que existem duas classes de conhecimento: o externo e o interno; e que, a menos que tenhamos em nós mesmos, o centro magnético que possa diferenciar as qualidades do conhecimento, esta mescla dos dois planos, ou ordens de idéias, poderia levar-nos à confusão.


Sublimes doutrinas pseudo-esotéricas, com marcado cientificismo como pano de fundo, pertencem ao terreno do observável; no entanto, são aceitas, por muitos aspirantes, como conhecimento interno.

Encontramos-nos, pois, ante dois mundos: o exterior e o interior. O primeiro destes é percebido pelos sentidos de percepção externa; o segundo só pode ser percebido mediante o sentido de auto-observação interna.

Pensamentos, idéias, emoções, anelas, esperanças, desenganos, etc., são interiores, invisíveis para os sentidos ordinários, comuns e correntes; e, todavia, são para nós, mais reais que a mesa de refeições ou as poltronas da sala.

Certamente, nós vivemos mais em nosso mundo interior que no exterior; isto é irrefutável, irrebatível.

Em nossos mundos internos, em nosso mundo secreto, amamos, desejamos, suspeitamos, bendizemos, maldizemos, anelamos, sofremos, gozamos, somos defraudados, premiados, etc., etc., etc.

Inquestionavelmente, os dois mundos, interno e externo, são verificáveis experimentalmente. O mundo exterior é o observável. O mundo interior é o auto-observável em si mesmo e dentro de si mesmo, aqui e agora.

Quem, de verdade, quiser conhecer os mundos internos do planeta Terra, do sistema solar ou da galáxia em que vivemos deve conhecer, previamente, seu mundo íntimo, sua vida interior, particular, seus próprios mundos internos. “Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses.”

Quanto mais se explore este mundo interno, chamado si mesmo, mais se compreenderá que se vive simultaneamente em dois mundos, em duas realidades, em dois âmbitos: o exterior e o interior.

Do mesmo modo que nos é indispensável aprender a caminhar no mundo exterior, para não cair num precipício, não nos extraviar nas ruas da cidade, selecionar nossas amizades, não nos associar com perversos, não comer veneno, etc.; assim, também, mediante o trabalho psicológico sobre nós mesmos, aprendemos a caminhar no mundo interior, o qual é explorável mediante a auto-observação de si.

Realmente, o sentido de auto-observação de si mesmo encontra-se atrofiado na raça humana decadente desta época tenebrosa em que vivemos.

À medida que perseveramos na auto-observação de nós mesmos, o sentido de auto-observação íntima irá se desenvolvendo progressivamente.

Samael Aun Weor.

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"Reflitamos sobre nós mesmos; analisemos somente nós mesmos; conheçamos a nós mesmos e assim, conheceremos o universo e os Deuses!"


Marcos Vinícius.

Um comentário:

  1. É realmente complexo conhecer a si próprio...vc acha que existe niveis de observação ou conhecimento proprio?

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